segunda-feira, 17 de julho de 2017

Conversas d'Ouvido com Dharma


Entrevista com os Dharma, banda brasileira de rock alternativo. Nascidos no ido ano de 2004 e após um hiato de 12 anos, os Dharma estão de regresso e em força, tendo editado no ano transacto o segundo disco A Cor do Céu Mudou. A banda é actualmente formada por Gustavo Guri (voz, guitarra), Marcinkus Bandeira (voz, guitarra), Ricardo Aquino (baixo) e Wendell Lima (bateria). Nesta edição das "Conversas d'Ouvido", falamos de tudo um pouco, de influências a discos de uma vida, passando pelo actual estado da indústria musical, sem esquecer os projectos para o futuro. Nas linhas que se seguem vão encontrar uma conversa descontraída, bem disposta e por vezes emotiva…

Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Gustavo Guri (GG): Essa é uma pergunta que causa bastante reflexão e cada membro da banda pode ter uma visão diferente. Acredito em dois fatores determinantes: a paixão pela música não é algo que você desenvolve durante a vida, você nasce com isso. E meus pais, por gostarem muito de música (apesar de nenhum deles ser músico/musicista), proporcionaram um ambiente favorável a esse desenvolvimento, inclusive de seus filhos terem a liberdade de curtir um gênero musical mais transgressor, como é o Rock’n Roll, principalmente por ambos virem de famílias com visões de mundo razoavelmente conservadoras.

Como surgiu o nome Dharma?
Marcinkus (M): Estávamos em busca de um nome que soasse fácil, universal e que tivesse um significado profundo. A escolha do nome foi bastante natural. Fluida até. Escolhemos após uma tarde de conversas e pesquisas em dicionários. Foi unânime. Na época, tínhamos uma compreensão bastante superficial do significado, mas já achávamos o som bonito e que casava bem com nossas convicções existencialistas do momento. 
Só tive contato com significado real da palavra muitos anos depois. Durante o período em que morei em Portugal (sim, morei em Guimarães de 2005 a 2010) li alguns livros que me fizeram reavaliar uma série de questões existenciais. No último capítulo de um livro de Deepak Chopra descobri que darma significava “propósito de vida” (simplificando a resposta). Talvez ter encontrado esse significado naquele momento da minha vida tenha reacendido a vontade de retomar o projeto da banda. Voltei de Portugal inclinado a voltar a tocar, de forma despretensiosa. A banda voltou de uma forma natural também, como um propósito de vida. 

Após um hiato de 12 anos, temos que vos perguntar, a que se deveu essa pausa?
GG: Conflito de interesses, por todos estarem prestes a se formar na faculdade e já em busca de uma formação que proporcionasse o ganha-pão, já que viver de música no Brasil sempre foi algo muito difícil. E imaturidade, principalmente da minha parte, por entender, naquele momento, que eu não era capaz de lidar com mais de um objetivo de vida ao mesmo tempo.
M: Vivemos um momento da banda na expectativa de “vivermos” dela. E essa expectativa começou a receber uma pressão de nós mesmos, das famílias e da sociedade. Não conseguimos nos dividir entre esses dois mundos. Optamos por interromper nossas atividades para darmos prioridade às nossas profissões, ao nosso sustento material. 

Porquê o regresso no ano transacto?
Ricardo Aquino (RA): Nos reencontramos no aniversário de Marcinkus e tocamos algumas músicas ao violão. No mesmo dia convidei o pessoal para tocarmos em um estúdio novamente de forma despretensiosa. Mas como não conseguimos tratar a música como brincadeira, por ser algo profundo e visceral, composições antigas e algumas novas surgiram e a banda se tornou séria outra vez. Nesse momento os nossos planos não se encaixavam com os do Nelson, baterista do 1.º CD, que decidiu deixar o projeto e foi substituído pelo Wendell. Com isso, tínhamos em mãos material para um novo álbum de músicas inéditas que atrasou pelo menos quatro meses devido à doença que tive em 2016, do qual passei três meses internado, sendo lançado apenas em Setembro de 2016.

No ano passado editaram “A Cor do Céu Mudou”, foi só a cor do céu que mudou ou vocês também mudaram?
GG: Com certeza mudamos e muito. Nestes 12 anos, cada um viveu seus prantos e glórias e dessa experiência resultou o reencontro para produzir um novo material. De 2009 a 2011 fundei uma outra banda autoral com outros amigos, chamada Jetlag e em 2014 gravei, mixei e masterizei meu primeiro disco solo, que foi totalmente captado num iPhone e num iPad, além de eu mesmo ter produzido alguns videoclipes para esse trabalho. Acredito que essas duas experiências me trouxeram duas coisas: agregação de valor à música que faço e principalmente, a consolidação de que minha alma é, de fato, de músico. Isso pode até soar estranho, mas em alguns momentos tive dúvidas se eu deveria seguir em frente com essa vocação. Compor é uma necessidade existencial para mim. E reconhecer que não posso deixar a música de lado foi uma grande conquista.
M: Foram 12 anos bastante intensos de experiências. Mudamos bastante. Passamos por questões e crises parecidas, apesar de distantes. Acredito que tudo o que aconteceu com cada um foi responsável por permitir que chegássemos até aqui. Conhecemo-nos um ao outro muito melhor depois de tanto tempo. Somos amigos irmãos e temos os mesmos sonhos de banda de há 15 anos atrás.
RA: Na verdade, o céu já tinha mudado para nós com o retorno de fazer música que nos é muito prazerosa. O título do álbum veio do refrão da música ‘Humanoides’. Eu cantei esse trecho em um ensaio e o Gustavo escreveu a letra ao redor do refrão. A gente entendeu o simbolismo que carregava essa frase e por isso decidimos colocá-la no álbum. Era um ano de mudança de vida onde um arquiteto e dois funcionários públicos (e mais tarde um professor de matemática) decidiram iniciar, de corpo e alma, um novo projeto musical, abrindo mão de outros planos em prol de um sonho. A frase se encaixou perfeitamente nesse sentimento. Particularmente, devido ao problema de saúde que tive ano passado, o céu mudou para quase ficar no chão. A visão de mundo muda, principalmente quando você de repente acaba ficando entre a vida e a morte sem saber quais sequelas o futuro lhe reserva e, se essas sequelas não vão atrapalhar na sua capacidade de tocar. O título veio antes da minha doença, mas significou ainda mais depois do que vivi em 2016.  

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
RA: Eu descrevo simplesmente como “Rock”. Para dar ênfase à nossa proposta eu complemento dizendo “Rock Autoral em português”. Não vejo o nosso som se enquadrando a esses rótulos de subgêneros de rock como Grunge, Alternativo, etc. porque não me identifico. Já escutei pessoas que tiveram contato com o nosso som pela primeira vez fazerem referência a outras bandas mais conhecidas, como Oficina G3, Scalene, Malta, NX Zero, RPM. Em um show que fizemos recentemente, falaram para a minha esposa que uma das músicas estava lembrando a banda Linkin Park e Angra também. 

Para além da música, têm mais alguma grande paixão?
GG: Eu particularmente sou apaixonado pela 7.ª arte. Tanto que foi em um grupo sobre Cinema que conheci e fiquei amigo do Anderson Barbosa e do Ruy Guimarães, diretor do clipe da faixa “Ilusionismo” e diretor de fotografia, respectivamente. E dessa amizade surgiu essa parceria que tem uma sintonia maravilhosa para produzir os nossos vídeos. Além de “Ilusionismo”, estamos em trabalhos adiantados para o próximo clipe, que já tem roteiro aprovado, inclusive.
Wendell Lima (WL): Sou fascinado por futebol. Principalmente pelas grandes ligas europeias. É uma paixão tão grande quanto a que eu tenho pela música.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
GG: Nenhum dos músicos da banda vive de música. Cada um tem seu emprego, seu ganha-pão. A música é o hobby que levamos mais a sério, pois tentamos produzir o melhor material com a melhor qualidade possível sempre. Viver de música é ainda apenas um sonho em função da realidade do nosso país. Enxergamos tudo o que fazemos como investimento em um futuro que, independentemente de ter ou não um maior suporte empresarial, fará a todos felizes. Temos uma situação confortável quanto a isso. Sem pressão para produzir material que tenha alcance necessariamente comercial, fica muito mais fácil de curtir o que fazemos. A desvantagem que enxergo, neste momento, é a ausência de um suporte técnico profissional em nossos shows, ou seja, uma equipe de produção nossa para deixar tudo do jeito que a gente gosta. Esse é um problema para todas as bandas no underground. Faz parte do nosso momento. 

Quais as vossas maiores influências musicais?
GG: A banda tem influências que vão do pop ao metal. Costumamos colocar o Rock Alternativo, Grunge, Heavy Metal, Hard Rock, Punk Rock e Stoner Rock como os principais géneros que influenciam a banda. Eu particularmente curto muito Jazz, Blues, Folk e Música electrónica. Todos curtimos subgéneros do Rock em comum, mas cada um tem outros gostos.
WL: Seguramente eu sou o mais eclético da banda. Minhas influências vão do Metal aos ritmos nacionais como forró, samba e pagode. Não que eu necessariamente seja fã desses outros ritmos. Mas acho que ouvir ritmos distintos agrega bastante na formação musical. Também gosto bastante das linhas de bateria aplicadas do Funk Soul.
M: Somos bastante ecléticos. Todos escutávamos bandas parecidas no início da banda. A pegada grunge da banda vem dessa época. Minha playlist tem música electrónica, tango electrónico e música cubana – além de rock, claro. Continuo escutando as mesmas bandas de rock de sempre.
RA: Particularmente curto ouvir os clássicos da MPB como Chico Buarque, Caetano Veloso, Belchior, Raul Seixas, as bandas do movimento Grunge, principalmente Pearl Jam que é a minha banda favorita, além de bandas inglesas como os Beatles, Queen, Radiohead, Oasis, Bush entre vários outros.

Como preferem ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
GG: Definitivamente através das plataformas digitais, como Spotify, por exemplo. Não dava pra indústria competir com o mp3. E a sacada do iTunes e principalmente, do modelo utilizado pelo Spotify, acabou sendo uma salvação para os músicos e as demais partes interessadas no processo. Claro que nunca vai se comparar as vendas de discos em termos de receita, mas foi uma maneira muito inteligente de conectar o ouvinte ao músico, cobrando algo por isso. 
M: Escuto música em formato digital há muito tempo. Não tenho nenhum tipo de paixão por som de vinil ou k-7 e sempre gostei da praticidade do digital.
RA: Eu sempre escutei músicas por MP3 e por CD’s, os quais eu tenho muitos ciúmes. Porém, eu senti necessidade de ouvir bandas, músicas e artistas novos, e a forma mais fácil de conseguir isso foi por meio do streaming e hoje, sem dúvida é o meio que mais escuto músicas.
WL: Com certeza através de Cd. Acho muito bacana o fato de ir a uma loja comprar um Cd, abrir a capa, apreciar a arte gráfica, ler a letra no encarte, etc. Enfim, gosto da sensação de ter o som "materializado" em minhas mãos. Sem falar que dá para ter o autógrafo do artista na capa e isso é muito legal.

O streaming está a “matar” ou a “salvar” a música?
GG: Conforme respondi acima, definitivamente está a salvar a música. Realmente a solução liderada pelo Spotify é muito inteligente. A médio prazo, não consigo enxergar nada mais inteligente do que isso.
RA: O streaming está a salvar a música. Hoje em dia eu percebo que as pessoas não baixam mais ilegalmente MP3 como se faziam há alguns anos atrás. Com o streaming o artista recebe pelos seus direitos autorais, diferente dos CD’s piratas e do MP3 baixados ilegalmente. 

Qual o disco da vossa vida?
GG: Pergunta extremamente difícil de responder. Não existe só um. O Razorblade Suitcase da banda inglesa Bush tem um significado especial pra mim, pois foi quando juntei pela primeira vez na vida uma grana e fui ao centro da cidade comprar o CD. Guardo com muito carinho até hoje. E até hoje eu acho um disco fantástico, em todos os sentidos. Visceral, bem produzido, com letras excelentes. A banda Bush foi um dos grandes motivos em termos de afinidade que aproximou os dois guitarristas da banda Dharma. Na mesma época, o Acústico do Nirvana também me impactou bastante. 
RA: Me descobri apaixonado pelo rock a partir da primeira fita cassete que eu pedi de presente quando eu tinha 9 anos: o álbum Appetite for Destruction, do Guns n’ Roses. 
WL: Phobia, da banda Breaking Benjamin.

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
GG: Sem dúvida nenhuma, o In Rainbows, do Radiohead. Sendo muito sincero, depois de tantas experimentações eu já achava impossível Radiohead produzir material mais palatável para o seu público. E o In Rainbows veio passar a mensagem de que eles ainda eram capazes de produzir algo inovador, extremamente bonito e ao mesmo tempo palatável. Depois desse disco, nada me impressionou tanto. 
RA: Até Pensei que Fosse Minha, álbum do português António Zambujo. Eu adoro as canções do Chico Buarque e com a interpretação do Zambujo ficou maravilhoso.
WL: De Graça, do artista brasileiro Marcelo Jeneci.

O que andam a ouvir de momento/Qual a vossa mais recente descoberta musical?
GG: Tenho escutado bastante Royal Blood e Alabama Shakes. Estas são as bandas mais impressionantes dos últimos anos pra mim. A primeira já impressiona por ser um duo que parece uma banda completa, com riffs alucinantes e bateria de timbre bonito e muita presença. A segunda impressiona pela beleza, pelos arranjos instrumentais e pelo vocal potente. 
RA: No momento venho escutando Dave Matthews Band, o novo CD do António Zambujo e sempre escuto os álbuns do Pearl Jam.

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
GG: Metade da mesa de som queimar durante o show foi algo, no mínimo, curioso. E aconteceu recentemente. Mas nos saímos bem da situação. Não dá pra ficar querendo achar culpados nestes momentos, então alguns fãs mais exaltados reclamaram bastante da situação. Mas tudo foi devidamente resolvido depois de meia-hora de pausa no show.

Com que músico/banda gostariam de efectuar um dueto/parceria?
GG: Aqui na nossa terra temos grandes músicos. Eu acho bacana quando se insere um vocal feminino em uma música de uma banda onde só se tem vocais masculinos. Pensamos em parcerias futuras com cantoras, como por exemplo, a Katty Winne, que tem uma voz muito bonita. Temos uma parceria já formada com a banda Ao Quadrado, que tem nos apoiado bastante, inclusive com a participação do vocalista Flávio Farias como o Stalker do clipe de “Ilusionismo”. No nosso último show, o Flávio subiu ao palco durante o Bis pra cantar a música connosco. Foi muito legal. Essas parcerias são muito importantes pro fortalecimento da cena.
RA: Sem humildade, queria tocar com o cantor Eddie Vedder ou com o Chico Buarque. 

Para quem gostariam de abrir um concerto?
GG: Sem pensar muito, Radiohead. Mas pisando no chão e falando em termos nacionais, seria uma grande honra abrir um show pra banda recém-formada Oceania, do Gustavo Drummond, um dos nossos ídolos nos anos 2000, guitarrista/vocalista remanescente da querida banda Diesel.
RA: No âmbito internacional queria abrir o show do Pearl Jam. No âmbito nacional, gostaria de abrir o show das bandas CPM22, NXZero, Pitty, Fresno, Scalene, etc.
WL: Scalene.

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
GG: Eu sinceramente não penso muito nisso, mas brinco muito com os amigos em tocar no Rock in Rio. Qualquer palco pra mim tá de bom tamanho, mas esse seria especial, por ser dos grandes festivais mundiais e ser originário do Brasil.
RA: Dos grandes festivais como o Rock in Rio, o Lollapalooza, Festival Abril pro Rock, etc.

Qual o melhor concerto a que já assistiram?
GG: É até um pouco engraçado falar sobre isso, pois foi de uma cantora. Eu tenho uma certa dificuldade em curtir bandas de rock com mulheres no vocal. Mas o melhor de todos pra mim foi o da Alanis Morissette, em Recife. Achei a execução ao vivo da banda inacreditável. Músicos de primeiríssima linha em grandes performances. A Alanis parecia até ser coadjuvante naquilo ali. Impressionante mesmo. 
RA: Definitivamente o show do Paul McCartney em Recife/PE.

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
GG: Gostaria muito de ter visto Audioslave ao vivo. Admiro muito todos os músicos da banda. Mas agora, infelizmente, ficou impossível. Fico na esperança de assistir Rage Against The Machine, apesar de saber que também será muito difícil… (risos) Esse ano vou assistir uma que eu também admiro muito, os Red Hot Chili Peppers. Vai ser menos uma na lista. O Queens of the Stone Age também está na mira. 
RA: Gostaria de assistir aos shows das bandas Radiohead, Metallica e Pearl Jam.
WL: O show do Slipknot no Rock In Rio 2011.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de terem estado presentes?
GG: Qualquer um dos Beatles. Nem sou tão fã assim, mas foi com eles que o Rock tomou um vulto gigantesco. Todos os shows deles foram históricos.
RA: O show do Metallica com a Orquestra Sinfônica de San Francisco de 1999, o Nirvana Uplugged MTV e o Rooftop dos Beatles.

Qual o vosso guilty pleasure musical?
RA: Eu tenho um gosto por alguns artistas que normalmente roqueiros não apreciam. Acho que se enquadraria nessa pergunta o cantor brasileiro Fagner, que tem um estilo romântico e até meio brega, e eu adoro as suas músicas.

Projectos para o futuro?
GG: Iremos lançar ainda este ano outro videoclipe. Também este ano iremos relançar o nosso primeiro álbum homônimo, produzido em 2004, remixado e remasterizado pelo Gargantua Studio. 

Que pergunta gostariam que vos fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
M: Uma pergunta que imaginei que fosse ocorrer mais frequentemente é sobre o motivo da escolha de “Ilusionismo” para ser nosso primeiro videoclipe. Gostamos do disco de uma forma bem homogênea e escolher uma música que melhor representasse a banda não foi uma escolha tão fácil quanto parece. Na verdade, o dilema foi atenuado um pouco pelo fato de termos decidido fazer clipes de outras músicas futuramente, que gostamos muito também. Então foi uma questão de ordem mesmo. Escolhemos a música que, além de representar bem, musicalmente falando, o momento da banda, também tivesse a possibilidade de atingir mais pessoas.

Outra pergunta que também nos fazem pouco é sobre o fato da banda ter dois vocalistas e como é feita a escolha do vocalista para as músicas. O processo é bastante curioso porque não é feito de forma racional. Não escolhemos quem deve cantar a música por conta do tom ou do timbre de voz que seja mais adequado. Para algumas músicas a escolha foi do próprio vocalista querer cantar a música por gostar tanto dela. A música “O surto” é do Gustavo, de um projeto dele anterior a volta da banda. Pedi para cantar essa música porque acho que a letra fala muito de mim. Outra curiosidade é sobre a música “Livre” do nosso próximo videoclipe. Passei boa parte dos ensaios cantando a música, mas sentia que algo não se encaixava. Não era natural. Então decidimos que seria o Gustavo e houve uma conexão emocional com a música muito maior.
RA: A pergunta que eu gostaria que fizessem é: “Agora que a banda fez sucesso, o que você vai fazer com seu escritório de arquitetura?” A resposta seria simples: eu dediquei 15 anos de minha vida à arquitetura e agora estou fechando o escritório para me dedicar à minha outra paixão, a música.
WL: Uma pergunta que poderia ter sido feita é como foi a minha entrada na banda, uma vez que eu sou o integrante mais novo e não estive presente nos primeiros capítulos da história da banda. A resposta seria que o convite aconteceu de maneira inesperada pois eu não conhecia nenhum dos três. Conheci o Gustavo quando o mesmo me convidou pelo Facebook para fazer parte de seu projeto solo. Após uma rápida e fria conversa, aceitei o convite e depois conheci Ricardo e Marcinkus. Estávamos ensaiando para uma apresentação do projeto solo do Gustavo quando, de maneira bem superficial, o Ricardo comentou sobre a Dharma e que eles pretendiam contar comigo para seguir com o novo projeto da banda. Dias após a apresentação na qual estávamos ensaiando, o convite oficial foi feito via áudio de 15 minutos no whatsapp, eu aceitei e cá estamos.

Que música de outro artista, gostariam que tivesse sido composta por vocês?
GG: De vez em quando eu até penso sobre isso. Algumas músicas eu mesmo gostaria de ter escrito. Acho fantástica “Present Tense”, do Radiohead. É a única música deles nitidamente influenciada por um estilo brasileiro, a bossa nova. Ficou linda. 

Que música gostariam que tocasse no vosso funeral?
GG: No meu, "Suas Lendas", do nosso último álbum. 
M: "O Surto", com certeza.
RA: Uma pergunta muito difícil de responder depois de acordar na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) depois de 25 dias de coma. Eu já havia gravado a minha parte do CD e quando eu acordo do coma induzido eu recebo a música “Suas Lendas” que o Gustavo compôs para a sua tia que faleceu, a música trata sobre a luta pela cura e sua morte. Para mim que estava convalescente eu me colocava no lugar dela, mas com um final diferente. Eu não gostaria que ela fosse tocada no meu funeral, nem nenhuma outra música, contudo ela teve uma importância grande porque a morte estava muito próxima a mim naquele momento.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

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